Introdução:
A Art Nouveau
Isso porque nesse mesmo contexto, acontecia na Europa a 2ª Revolução Industrial onde se desenvolveram novas tecnologias de exploração de elementos como o vidro e o ferro.
As ideias de Morris e dos pré-rafaelitas influenciaram uma geração de pintores e artistas que passaram a valorizar o artesanato, o que gerou conseqüências na própria pintura, na arquitetura e no design.
O movimento durou pouco, mas se manifestou em diversos campos artísticos: joalheria, desenho industrial, mobiliário, tecidos e na arte gráfica. Na arquitetura, o ornamento mescla-se com a estrutura como um complemento juntamente com a utilização dos novos materiais (ferro e vidro). Com o desenvolvimento desses materiais conseguia se obter no interior uma iluminação quase natural.
“A Art Nouveau adorava a leveza, a sutileza, a transparência e, naturalmente, a sinuosidade. O ferro significava peças finas e ductilidade; ferro e vidro utilizados em exteriores produziam a mesma transparência que era obtida em interiores só com o ferro.” (PEVSNER, Nikolaus, p.95)
O Art Nouveau é um movimento ornamental caracterizado por linhas delicadas, longas e sinuosas, que remetem a elementos da natureza como caule de flores, asas de insetos, algas e folhagens. Uma possível influência do movimento pré-rafaelita como discorre Argan:
“Afirma-se a necessidade de um novo naturalismo, pois reconhece-se à natureza uma poeticidade intrínseca própria e um sentido de misteriosa mensagem divina; contudo, o meio indicado para decifrá-lo não é o sentimento da natureza, e sim uma técnica pictórica humilde, honesta, precisa, semelhante à dos antigos mestres e artesãos.” (ARGAN, Giulio Carlo, p.176)
Diante disso, a proposta do artigo é entender como as curvas características do Art Nouveau se relacionam com as formas encontradas na natureza.
Art Nouveau – as Curvas e a Natureza

Mackmurdo: Frontispício de Livro,1883.
"A disposição de curtas curvas em C, de pequenas flores, as linhas de pontos minúsculos, é diferente do estilo de qualquer outro artista." (PEVSNER, Nikolaus, p.83)
Beardsley: Siegfried, 1893.
"Abstraindo por agora do conteúdo místico do quadro, basta-nos olhas para as longas curvas, a esbelteza das proporções, a delicadeza de flor dos corpos e dos membros, os perfis estranhamente oblícuos, para reconhecer as mesmas influências inglesas de Beradsley e o mesmo esforço consciente para conseguir um padrão complicado, sinuoso, entrelaçado, abrangendo toda a superfície do quadro." (PEVSNER, Nikolaus, p.84)

Toorop: As três noivas, 1893.
"Mais uma vez, voltando a olhar para O Eleito, de Hodler, e considerando apenas as formas, reconhecer-se-ão como típicas da Art Nouveau as linhas alongadas das túnicas, os cabelos dos anjos, o caule delgado da pequena árvore do meio, algumas das flores empunhadas por mãos compridas e delicadas, e os movimentos tortuosos destas mãos." (PEVSNER, Nikolaus, p.85)

Hodler: O eleito, 1893-4.
"Veja-se agora O Grito, Munch. Já acentuamos a importância que nele têm as curvas impetuosas como veículo de expressão. Tem ainda mais na litografia Madonna, feita em 1895 segundo um quadro de 1894. O longo cabelo ondulado e o movimento sinuoso da figura, as linhas oscilantes do fundo, e sobretudo a velha moldura com o embrião e o espermatozóide flutuante..." (PEVSNER, Nikolaus, p.85)
Munch: O grito, 1893.
Munch: Madonna, 1895.
"O ideal de ornamentação de Sullivan era uma 'decoração orgânica harmonizando-se com uma estrutura composta de linhas largas e maciças'..." (PEVSNER, Nikolaus, p.86)
"Aparecem as mesmas trepadeiras nas paredes, dispostas em mosaico no chão, trabalhadas em ferro no suporte por cima do fuste da coluna e ao longo de todo o corrimão." (PEVSNER, Nikolaus, p.88)
Horta: Hotel Tassel, 1893. Escada
"As formas destes baseavam-se na profunda fé que Gallé tinha na natureza, como única fonte legítima de inpiração para o artesão - semelhante à crença que encontramos em Sullivan e van de Velde." (PEVSNER, Nikolaus, p.92)
Gallé: Jarra de Vidro
"Quando, em 1895, o Meier-Graefe conseguiu lançar Pan, uma revista de arte e literatura moderna alemã, Eckmann desenhou a decoração de diversas páginas; a sua ornamentação é radicalmente diferente da de van de Velde, e apesar disso, igualmente original, interessante e erepresentativa da Art Nouveau: mais uma vez um padrão plano, com longas curvas graciosamente enlaçadas, e onde mais uma vez se sente a alegria de traçar muitas lonhas conjugadas. Mas Eckmann estava do lado de Gallé quanto à fé na natureza, e contra van de Velde. Faz com folhas e hastes aquilo que van de Velde faria com formas abstratas." (PEVSNER, Nikolaus, p.96)
Bibliografia:
PEVSNER, Nikolaus. Origens da arquitetura moderna e do design. São Paulo: Martins Fontes, 1981.
PEVSNER, Nikolaus. Os pioneiros do desenho moderno. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.





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